A inimiga mora ao lado

Enquanto você está no calor do momento é impossível pensar com a cabeça. Geralmente, somos impulsionados com a emoção. Ela mais nos prejudica do que estende a mão. São palavras e pés em lugares errados, tempos incertos e metralhadoras nos olhares. O engraçado é que, sei lá, só temos a consciência e certeza depois de alguns dias. A emoção está mais para uma rasteira do que um conforto. E o detalhe: está presente e serve para todos os tipos de relação.

Qualquer morto depende de 24 horas antes de ser enterrado. O mesmo é indicado aos relacionamentos. Confie na ressurreição, não apresse a cova, poderá ser apenas mais um buraco no jardim.

Fabrício Carpinejar

Tudo indica ao francês

Como alguns sabem, tenho a imensa loucura de aprender francês. E não é pra menos. É uma língua sensual que exala cultura e ponto.

Bom, mas este não é o foco. Buscando no meu baú, resgato mais uma banda, na verdade, um trio de músicos muito peculiares. Unidos, os três são a essência do Gotan Project.

O grupo foi formando em Paris, em 1999, leva em sua composição uma mistura de nacionalidades:  Philippe Cohen Solal (francês), Eduardo Makaroff (argentino) e Christoph H. Müller (suíço).

O primeiro single a ser lançado foi Vuelvo Al Sur/El Capitalismo Foraneo em 2000, seguido do álbum La Revancha del Tango em 2001. A sua música insere-se no estilo do Tango, mas com elementos eletrônicos que dão ao seu estilo uma nova forma de fazer tango: o tango eletrônico.

No Brasil, o sucesso veio com mesmo com o single Epoca, tema de Bárbara, na novela Da Cor do Pecado, que foi exibida em 2004 pela Rede Globo.

Assista o vídeo abaixo, e sinta o gostinho da sensualidade misturar-se ao tempo atual, em que o eletrônico dá um gás de jovialidade.

Gotan Project – Queremos Paz

Retomando…

Bom, depois de um tempão sem postar, acho que -agora- é o momento certo para retomar as ativididades deste blog. Mas digo, atividades para o meu ser, já que acredito que a palavra liberta e acalenta a alma. E o momento de liberdade é o mais perfeito para regularizar e colocar em pauta o tempo perdido.

Aos poucos, irei remodelando e mudarei o foco do meu projeto inicial, mas aos poucos, pois tudo que muda drasticamente não é bom e nem dura para sempre, se é que me entendem.

E, para dar início às atividades, depois de um tempo sem post, nada mais justo que o som do momento. Isto é uma das novidades musicais (pra mim) que quero compartilhar com vocês. Os músicos, eu já os conhecia, mas de trabalhos isolados. Juntos, também já havia ouvido falar, apesar de ser um “espetáculo criado” em 84 e, agora, escuto.

Fragmentos de “Alguém Que Já Não Fui”

por Arthur da Távola

“Afinidade não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto onde foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo medindo a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial (da esperança sobre a experiência).

Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar de longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar. Ou quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

A afinidade não precisa de amor. Pode existir com ou sem ele. Independente dele. A quilômetros de distância. Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar. Há afinidade por pessoas (não seria com pessoas ?) a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos. Há afinidade com pessoas de outros continentess a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa de tempo para existir. Afinidade é adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as têm. Afinidade é retomar a relação do ponto onde parou, sem lamentar o tempo da separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.”